Viagem pela História

Em Paraty, pode-se fazer uma fascinante viagem no tempo, pelo que restou da História da cidade.

Essa viagem pode começar pelos trechos que ficaram da antiga trilha do Facão, rebatizada como Caminho do Ouro.

Desde a Pré-História, os índios do sudeste brasileiro se utilizaram de trilhas, em seus deslocamentos e essa era usada pelos índios guaianás, antigos habitantes da região de Paraty, para ir da aldeia de baixo, Paratii, à aldeia de cima, Taba-e-tê. Ficou conhecida como trilha do Facão, nome do arraial onde desembocava, hoje a cidade de Cunha.

Já no século 16 o Rio de Janeiro abriu comunicação com as vilas paulistas por essa trilha, que se tornou o elo essencial da próspera rota de comércio conhecida como Caminho Marítimo-Terrestre.

Por essa rota, as mercadorias iam do Rio e Janeiro a Paraty por mar, subiam a trilha do Facão, passavam por Cunha e Guaratinguetá rumo a São Paulo, seguiam para as vilas paulistas do planalto e desciam a serra do Cubatão em direção a São Vicente e outras vilas litorâneas.

O Caminho Marítimo-Terrestre se tornaria fundamental, não só para o abastecimento dessas localidades, como, ao longo do século seguinte, das expedições que partiam de São Paulo em busca de riquezas e das povoações que elas deixavam em seu rastro.

E isso pode ter estimulado os colonos da vila de São Vicente, fundadores de São Paulo e dessas povoações, a se estabelecerem na baía de Paraty, de onde saía a trilha do Facão, formando no atual morro do Forte o núcleo inicial da futura vila de Paraty.

Várias expedições passaram por essa trilha em busca de riquezas e abriram, no planalto, o Caminho do Sertão, que ligou São Paulo a Guaratinguetá e se embrenhou nas matas a nordeste da Capitania. Foi por esse caminho que, em 1698, foi encontrado ouro no sertão de Cataguases, em Minas Gerais.

E, graças à trilha do Facão, Paraty ganhou posição estratégica no fluxo dessa riqueza, como o caminho mais prático entre Minas e Rio de Janeiro, de onde ela seguia para Lisboa.

Na primeira metade do século 18, a vila ganhou notoriedade como Porto do Ouro, mas, desde o início, a Coroa passou a pensar numa outra rota, que permitisse um controle maior sobre o fluxo dessa riqueza e um transporte mais seguro, longe dos corsários que infestavam o mar.

Foi assim que, em 1733, o Caminho Novo passou a ligar as minas diretamente ao Rio de Janeiro, por terra, encurtando a viagem de trinta para doze dias e o ouro foi proibido de passar por Paraty. Mas o comércio continuou usando atrilha do Facão, que continuou desenvolvendo a vila com o transporte de alimentos, mercadorias e escravos para as minas.

Em meados do século 18, mais uma riqueza passou a usar essa trilha, que foi a da cachaça. Com a mudança da capital da Colônia para o Rio de Janeiro e a introdução da cana-de-açúcar no sudeste, Paraty se tornou a maior produtora de cachaça de aguardente da Capitania e esse produto foi, inclusive, exportado para a África, para ser trocado por escravos.

Em meados do século 19, foi a vez do café usar a trilha do Facão, transportando em comboios de mulas a safra de dezenas de fazenda do vale do Paraíba. O café trouxe grande riqueza a Paraty, que construiu nessa época quase todo o Centro Histórico e se elevou a cidade em 1844.

Mas, em 1877, o trem chegou a Guaratinguetá, passando a transportar o café diretamente ao Rio de Janeiro. Paraty Paraty enfrentou quase um século de decadência econômica, até despertar para o turismo em 1976, com a inauguração da rodovia Rio-Santos.

A restauração do Caminho do Ouro, iniciada em 2002, revelou trechos de meados do século 19, calçados com lajes de pedra e de meados do século 18, quando o ouro não passava mais oficialmente por ele, calçados com pedras menores e seixos rolados.

E o cenário é deslumbrante, com vistas panorâmicas e trechos da Mata Atlântica que lembram as gravuras de Rugendas.

Outro pedaço da História de Paraty está nos alambiques antigos e modernos da cidade. Paraty foi grande produtora de cachaça, no século 18, a ponto de seu nome se transformar em sinônimo do produto, como na popularíssima canção de Assis Valente: Vesti uma camisa listrada e saí por aí / Em vez de tomar chá com torrada, eu tomei parati.

Alguns engenhos ainda são movidos por roda d’água, que normalmente também movimenta uma casa de farinha. A cachaça de Paraty recebeu do INPI o selo de denominação de procedência, que só foi dado a três outros produtos brasileiros: a carne dos pampas, o café do cerrado mineiro e os vinhos da região dos vinhedos.

Excursões ao Caminho do Ouro costumam incluir visitas a alambiques.

Mais um pedaço da História de Paraty é o Centro Histórico da cidade, praticamente intocado, a maior parte construída no século 19, quando a vila se elevou a cidade.

São ruas calçadas com pedras pelos escravos, casas e sobrados decorados com filigranas e desenhos geométricos, balcões com delicados desenhos em ferro forjado, janelas de caixilhos elaborados com desenhos gravados a fogo. Tudo isso beijado pelo mar e abraçado pela Mata Atlântica, num conjunto de extrema harmonia que é a maior atração de Paraty.

No Centro Histórico estão as igrejas antigas de Paraty, com altares barrocos e objetos litúrgicos do século 19. Numa delas funciona o Museu de Arte Sacra da cidade. Também no Centro Histórico está a Casa da Cultura, com uma exposição permanente sobre a cidade.
 

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Saiba mais

sobre o Centro Histórico de Paraty em A pé pelo Centro Histórico

sobre os alambiques em Na rota da cachaça
sobre Caminho do Ouro em
Alma de um caminho
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