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Salve os Santos Reis
Estrela de Belém
Segundo cálculos feitos em 1614 pelo astrônomo Johannes
Kepler (1) no ano 7 de nossa era houve três conjunções dos
planetas Júpiter e Saturno, que poderiam ter criado um novo
corpo celeste ou stella nova, comprovando o fenômeno bíblico
da Estrela de Belém, que surgiu no céu para guiar os Magos
até Jesus.
Mas
essas conjunções foram registradas sem maior interesse por
um almanaque astrológico encontrado nas ruínas da Babilônia,
mostrando que não tiveram o impacto do fenômeno relatado por
Mateus.
Já
segundo os astrólogos, entre 3AC e 2AC houve sete conjunções
astrais que poderiam ter dado origem a novos corpos celestes
como a Estrela de Belém.
Numa
delas, entre Júpiter e Vênus, em 2AC, os dois planetas
praticamente se fundiram no céu, num evento raro e,
provavelmente, impressionante. Mas esse evento aconteceu
dois anos depois da data historicamente provável do
nascimento de Jesus, que é 4AC.
Outros
astrônomos propuseram uma ligação entre a Estrela de Belém e
uma ocultação de Júpiter pela Lua, que houve em 6AC. Mas
esse evento se deu muito próximo do sol e teria sido difícil
observá-lo a olho nu, como se fazia antes da invenção do
telescópio.
Outra
hipótese, recente, é que a Estrela de Belém foi uma
supernova ou hipernova, corpo celeste em pleno nascimento,
que aumenta subitamente em brilho e tamanho, para depois
esmaecer. Mas, embora algumas supernovas tenham surgido
perto da época do nascimento de Jesus, fica difícil precisar
a data em que ocorreram.
Outros
ainda sugeriram que a Estrela de Belém foi um cometa. O
cometa Halley (2) foi visível em 12AC e um objeto semelhante
foi visto por chineses e coreanos por volta de 5AC, durante
setenta dias, sem qualquer movimento, como a Estrela sobre
Belém, na narrativa de Mateus.
Mas
outros aspectos colocam em dúvida a Estrela de Belém como
fato histórico. Mateus é o único a falar dela e outros
evangelhos dizem que Jesus nasceu em Nazaré, não em Belém.
Além disso, os eventos e augúrios descritos por Mateus em
torno da Natividade remetem mais a histórias contadas pelos
romanos em torno do nascimento de Augusto (3), em 63AC.
Por
outro lado, ficou impressa na memória dos romanos a aparição
espetacular do cometa Halley em 66AD, que Tiridates, rei da
Armênia e sacerdote zoroastrista, aproveitou para marcar a
nomeação de seu reino como tributário do Império Romano.
Essa
nomeação fez parte de um acordo de paz entre romanos e
partas, após uma guerra vencida por Nero. Tiridates foi
recebê-la em Roma, em meio a grandes festividades,
acompanhado de uma delegação de magos (4). Vários estudiosos
dizem que esse evento deu forma là narrativa da Natividade
no evangelho de Mateus, que foi escrito entre 70 e 100AD.
O ano em que nasceu Jesus
O
nascimento de Jesus é estipulado como o ano zero da era
cristã e tomado como base ponto de partida para dividir a
História e suas datas em duas eras: AC ou Antes de Cristo,
em ordem decrescente e AD ou Anno Domini, Ano do Senhor,
Depois de Cristo, Era Cristã ou Nossa Era, em contagem
crescente.
Foi
Dionysius Exiguus (5), importante monge da Cúria Romana, que
estabeleceu essa divisão, no século 6. Para isso, estipulou
que Jesus nasceu a 25 de dezembro de 753, pelo calendário
juliano (6) e iniciou a nova era no ano seguinte, 754,
rebatizado como 1AD.
No
entanto, se Jesus nasceu no tempo de Herodes, como diz
Mateus, só pode ter sido antes de março de 4AC, quando
Herodes morreu. A comprovação dessa morte está nas moedas
que seu sucessor mandou cunhar, celebrando a coroação.
Por
outro lado, Lucas diz que o nascimento de Jesus se deu
quando José foi a Belém com a família, para participar do
recenseamento geral do Império Romano. Segundo os registros,
esse censo se deu em 8AC, mas o de Belém só aconteceu entre
10 e 24 de agosto de 7AC, um ano depois; o que coloca a
Natividade entre essa data e março de 4AC.
Assim,
25 de dezembro é a data oficial, mas não histórica, do
nascimento de Jesus. Ao seguir o calendário juliano, para
marcar esse evento, Exiguus se valeu de uma data pagã, a do
Dies Natalis ou Solistício de Inverno, em que os romanos
comemoravam um novo ciclo do sol., com a mesma simbologia
que os cristãos celebram com a Natividade (7).
A data da visita dos Magos
Os
presépios de Natal mostram Jesus numa manjedoura, adorado
pelos Magos, o que os Evangelhos desmentem. No de Lucas,
Jesus realmente nasce num estábulo, mas é adorado por
pastores. Já em Mateus, os Magos veneram a Jesus em sua
casa, não num estábulo.
É o
que a arte confirma, desde as catacumbas. Quando o Menino é
adorado pelos pastores, segundo Lucas, está numa manjedoura.
Quando é venerado pelos Magos, segundo Mateus, está no colo
de Maria (8). Porque, segundo estudiosos, os Magos só
encontraram Jesus de um a dois anos depois de seu
nascimento.
Um dos
indícios disso é a duração da viagem que fizeram do Oriente
a Jerusalém. Segundo a tradição, eles partiram da cidade
iraniana de Saveh (9), a 100 km de Teerã e atravessaram o
norte do Iraque em direção a Halab ou Alepo, no norte da
Síria, de onde desceram até Damasco, no sul. De Damasco,
entraram na Judéia; passaram por Jerusalém e foram até
Belém, nas cercanias, onde encontraram Jesus (10).
Ou
seja, foi uma viagem colossal, para a época, de 1.600 a
2.000 quilômetros, atravessando desertos e cruzando e
cruzando rios. Que, em lombo de camelo, pode ter levado até
um ano, sem contar o longo tempo de preparo, as muitas
paradas e os inevitáveis acidentes de percurso pelos
precários caminhos daquela época.
Outro
indício importante de que os Magos encontraram Jesus já
crescido é que, quando chegaram a Jerusalém, Herodes lhes
perguntou a data da aparição da Estrela de Belém. E, quando
eles partiram por outro caminho, sem revelar onde estava
Jesus, Herodes ordenou a matança de todos os meninos de dois
anos para baixo, em Belém e vizinhanças, no que ficou
conhecido como o Massacre dos Inocentes (11).
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Notas:
(1)
Johannes Kepler (1571-1630), astrônomo, astrólogo e
matemático alemão, foi figura-chave na revolução científica
do século 18. É conhecido pelas leis do movimento
planetário, codificadas por astrônomos posteriores, que
forneceram alguns dos fundamentos da teoria da gravidade de
Isaac Newton. Kleper também foi fundamental no campo da
ótica, desenvolvendo o telescópio refrativo e legitimando as
descobertas de Galileu. Em sua época, ainda não havia uma
distinção clara entre astronomia e astrologia, o que o levou
a incorporar argumentos religiosos à sua obra, na convicção
pré-iluminista de que Deus havia criado o mundo a partir de
um plano inteligível e acessível pela razão.
(2) O
cometa Halley, que pode ser visto a cada 75-77 anos, é o
mais famoso corpo celeste de aparição periódica da
astronomia. Apesar de vários outros cometas serem até mais
brilhantes e espetaculares, o Halley é o único visível a
olho nu e o único que reaparece dentro de um período humano
de vida. O Halley era observado desde 240AC, mas só no
século 18 foi reconhecido como um cometa periódico, a partir
do cálculo de sua órbita pelo astrônomo Edmond Halley. A
última aparição do cometa Halley foi em 1986 e a próxima
será em 2061.
(3)
Augusto (63AC-14AD), filho adotivo de Júlio César, foi seu
sucessor em 44AC, quando ele foi assassinado. Mais tarde,
tornou-se o primeiro imperador de Roma, sob o nome de César
Augusto e governou sozinho de 27AC até sua morte, em 14AD.
Em 43AC, uniu forças com Marco Antonio e Marco Lépido numa
ditadura militar conhecida como o Segundo Triunvirato. Como
triúnviro, governou Roma e várias províncias como um
autocrata, enfeixando poderes consulares e se reelegendo
indefinidamente. Movidos pela ambição, os outros triúnviros
passaram a competir com ele. Marco Antonio, amante de
Cleópatra, se suicidou em 31AC, depois de derrotado por
Augusto na batalha naval de Actium e Marco Lépido foi
exilado. .
(4)
Tirídates foi um dos fundadores da dinastia que regia o
Império Parta à época do nascimento de Jesus, formado por
reinos confederados. Vencidos por Nero, os partas entregaram
a Armênia a Roma como estado adjunto, mas alguns
historiadores dizem que, na verdade, foi Nero quem entregou
a Armênia aos partas.
(5)
Dionysius Exiguus (470-544AD), membro da Cúria Romana,
traduziu do grego para o latim várias obras canônicas da
Igreja cristã, entre elas as atas dos concílios de Nicéia
(325aD), Constantinopla (381AD) e Chalcedon (451AD). Além
disso, reuniu uma coleção de decretos papais, de Siricius
(384-389AD) a Anastácio II (496-498AD), que até hoje são
respeitada fonte de consulta da administração eclesiástica.
(6) O
calendário juliano foi uma reforma do calendário romano,
introduzida por Júlio César em 46AC, depois de consultar o
astrônomo Sosigenes de Alexandria, estabelecendo um ano de
365 dias, dividido em 12 meses e com um dia a mais em
fevereiro, a cada 4 anos. O calendário juliano deu lugar ao
calendário gregoriano, usado até hoje e decretado pelo papa
Gregório XIII em 1582. O calendário gregoriano observou o
mesmo sistema do juliano, com a diferença de que passou a
contar os anos a partir do nascimento de Jesus.
(7) O
solistício de inverno marca o início do inverno no
hemistério Norte. Na Antiguidade, os festivais de inverno
eram muito populares, em várias culturas, pelo encerramento
do trabalho no campo; pelo novo ciclo de florescimento a ser
trazido pela primavera e pela expectativa de tempos melhores
com a nova colheita.
(8) V.
Arte
(9)
Saveh, também traduzida como Sava, antiga cidade do Irã, não
deve ser confundida com Sabá ou Sheba, antigo reino entre a
África e a Península Arábica, cuja rainha a história ligou a
Salomão. Além de ponto de partida da viagem dos Magos,
segundo a tradição, Saveh é citada em relatos como sede de
uma das bibliotecas mais importantes do Oriente Médio, à
época do nascimento de Jesus.
(10)
Para visualizar esse roteiro, v. Oriente Médio (hoje) em
Mapas.
(11) O Massacre dos Inocentes não é mencionado pelos
historiadores da época do nascimento de Jesus, nem nos
outros evangelhos, nem nos primitivos textos apócrifos da
Bíblia. Por isso, a maioria dos biógrafos recentes de
Herodes acha que esse episódio não foi um fato histórico.
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Fontes
www.google.com
www.wikipedia.org
http://www.newadvent.org/cathen
http://www.bibliacatolica.com.br
http://www.studylight.org/desk/?l=en&query=Genesis+1§ion=0&translation=kjv&oq=ge%201&new=1&nb=ge&ng=1&ncc=1
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